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  • Preso, Nuzman renuncia à presidência do COB para se dedicar à própria defesa

    11/10/2017 às 17:00 - Sem Categoria

    pós 22 anos na presidência do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Carlos Arthur Nuzman renunciou ao cargo nesta quarta-feira. Preso em Benfica, na Zona Norte do Rio de Janeiro, o dirigente havia pedido afastamento no último fim de semana e agora encerra oficialmente seu vínculo com a entidade. A renúncia foi comunicada aos presidentes das confederações olímpicas brasileiras durante Assembleia Extraordinária na sede do COB, na Barra da Tijuca, através da leitura de uma carta assinada por Nuzman e entregue por um dos advogados dele, Sergio Mazzillio. No texto, Nuzman alega inocência e afirma que se dedicará inteiramente à própria defesa.

    - Venho, pela presente, reiterar os termos de minha correspondência, datada de 6 de outubro de 2017, em especial a minha completa exoneração de qualquqer responsabilidade pelos atos a mim injustamente imputados, os quais serão devidamente combatidos pelos meios legais adequados. Considerando-se, todavia, a necessidade de dedicar-me, integralmente, ao pleno exercício do meu direito de defesa, renuncio de modo irrefutável e irretratável ao cargo de Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, bem como ao de membro honorário de sua Assembléia Geral - diz o documento.

     
    Carta da renúncia de Nuzman à presidência do COB  (Foto: Reprodução)

    Carta da renúncia de Nuzman à presidência do COB (Foto: Reprodução)

    Na mesa da Assembléia Extraordinária Geral do COB estavam os presidentes Ronaldo Bittencourt (hipismo), Marco La Porta (triatlo), Alberto Maciel (taekwondo), Ricardo Machado (esgrima), Matheus Figueiredo (desportos no gelo) e Silvio Acácio Borges (judô), além do ex-vice/interino Paulo Wanderley, que agora assume definitivamente a presidência da entidade. Não haverá nova eleição, e Wanderley segue no comando até o fim do mandato, em 2020.

     
     
    Assembléia Extraordinária Geral do COB (Foto: Gabriel Fricke)

    Assembléia Extraordinária Geral do COB (Foto: Gabriel Fricke)

    Nuzman foi preso temporariamente na última quinta-feira por ser apontado como elemento central de conexão para o pagamento de propina do governo do Estado Do Rio de Janeiro para a compra de votos na eleição que definiria o Rio como sede olímpica de 2016. Nesta segunda, o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro, acatou um pedido do Ministério Público Federal (MPF) e decretou a prisão preventiva, ou seja, por tempo indeterminado. Juntamente com a Polícia Federal, o MPF conduziu a operação “Unfair Play”, braço da Lava Jato no Rio, que culminou também na prisão do braço-direito de Nuzman, Leonardo Griner, ex-diretor de operações do COB.

    Os advogados de Nuzman então entraram com um novo pedido de habeas corpus, em caráter liminar, na madrugada desta terça-feira. No documento, eles pediram a liberdade imediata do dirigente, negando a participação dele em esquemas ilícitos ligados à Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016. No entanto, o desembargador federal Abel Gomes pediu esclarecimentos às partes antes de tomar uma decisão.

     
    Carlos Arthur Nuzman foi preso na última quinta-feira (Foto: Reuters)

    Carlos Arthur Nuzman foi preso na última quinta-feira (Foto: Reuters)

     

    Nuzman tornou-se alvo das investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Francês por supostamente ter facilitado o contato entre Arthur Soares, empresário vinculado a operações ilícitas do ex-governador Sérgio Cabral, e Papa Massata Diack, filho do ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), Lamine Diack. Lamine, além de votante na eleição do Comitê Olímpico Internacional (COI), era figura de grande influência para outros votantes do bloco africano.

    Em junho de 2008 o Rio de Janeiro foi anunciado oficialmente como cidade candidata a sede dos Jogos, ao lado de Chicago, Tóquio e Madri. Foi a primeira vez que passou da primeira fase do processo do COI, após duas eliminações. A Assembleia que definiu a sede foi realizada em outubro de 2009, em Copenhague, na Dinamarca. Chicago e Tóquio foram as duas primeiras eliminadas na rodada de votação. Na final contra Madri, o Brasil venceu por 66 votos a 32.